Crítica de disco: Lee Bannon – “Alternate/Endings”

Cá estão os anos 90 londrinos a remexer de novo as águas. Desta vez é o californiano Lee Bannon a pegar neles e a trazê-los de volta ao presente.

Tendo começado na capital da Califórnia como produtor de beats de hip hop, e sendo mais tarde conhecido pela colaboração com Joey Bada$$ aquando da sua estadia em Nova Iorque que dura até hoje, Lee Bannon decidiu entretanto começar a sua produção musical em nome próprio. Apesar de já ter lançado o álbum “Fantastic Plastic” pela Plug Research em 2012, é na Ninja Tune que o músico americano se reinventa e se agarra às raízes britânicas das suas influências de Sacramento. A primeira amostra nesta nova onda foi o EP do ano passado, Place/Crusher, a demonstrar o seu lado experimental na música downtempo. No entanto, com este seu novo “Alternate/Endings”, Lee Bannon foi realmente lá atrás aos seus tempos juvenis pegar no jungle e no drum & bass, misturou-o com as suas bases de hip hop norte-americano e o resultado está à vista.

Com uma entrada agressiva através de “Resorectah” e “NW/WB”, Bannon deixa logo claro o que quer mostrar com este disco e o caminho que decidiu seguir. Entre drums poderosos e fragmentos vocais a alta velocidade, há espaço para momentos mais contemplativos, e é neste vaivém de ritmos agitados que o disco prossegue. Como seria de esperar relativamente a revivalismos de influências londrinas, há um nome mais moderno que faz questão de nos surgir no pensamento ao ouvir certos temas deste álbum. Em “Shoot Out the Stars and Win”, “Bent/Sequence” ou no início de “Phoebe Cates”, o reflexo de Burial nas ambiências e ritmos mais próximos do UKG é notório. Já em “216”, um dos temas fortes do disco, Lee Bannon retorna ao jungle em tons mais melódicos e abre o LP a um espectro musical mais alargado. Por entre rasgos de drum & bassruídos de fundo e samples colados com a perspicácia de quem sabe o que faz, “Alternate/Endings” chega ao fim com um experimental e espacial “Readly/Available”, tema mais longo do disco e antecipando lentamente a negra e novamente acelerada “Eternal/Attack”.

É um álbum de certa forma experimental e diferente, e bastante interessante do ponto de vista de que, apesar de ter pouco hip hop directamente na sua estrutura, não se deixa de notar a miscelânea entre esta vertente musical americana com o lado alternativo dos 90’s britânicos. Recomenda-se.

 JR

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